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Uma carta ao mundo é enviada a quem?

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05.10.2026

No domingo, foi publicada no Financial Times uma carta assinada por António Costa, Lula da Silva, William Ruto e Mark Carney. Nela, os quatro líderes anunciam a criação dos Partners for Multilateralism (P4M), uma plataforma com o objetivo de reforçar e reformar as instituições multilaterais. O título é revelador: “O multilateralismo não é idealismo, é uma necessidade.”

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O diagnóstico é quase tão antigo quanto as próprias instituições: os quatro afirmam que o mundo está mais interdependente do que nunca, mas ao mesmo tempo mais fragmentado. Nada neste diagnóstico é particularmente controverso. A novidade principal está na junção destes quatro líderes, sem grandes ligações óbvias entre todos. Com uma exceção: António Costa.

Com Lula, há uma relação de longa data e sobejamente conhecida. O Brasil é o parceiro natural de qualquer político português com vocação internacional. Mas não é só pela ligação a Costa que o Brasil assina esta iniciativa: Lula tem feito da reforma multilateral o eixo central da sua política externa, da presidência do G20 em 2024 (em que Portugal participou pela primeira vez, a convite do Brasil) à cimeira climática de Belém em 2025. Mais recentemente, a cimeira dos BRICS colocou questões legítimas sobre se esse fórum é o mais alinhado com a política externa brasileira.

Com Mark Carney, a ligação é mais recente mas........

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