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O perigo da repetição da História é como os discos de vinil: tem o lado A e o B

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10.09.2026

Enfatuado com a epifania anual no Seixal, Manuel Loff não perdeu tempo a comentar os (preocupantes) resultados das eleições na Saxónia-Anhalt e a extrair as habituais extrapolações. Os eleitores exerceram a democracia no domingo e dois dias depois a prosa do historiador dava à estampa no PÚBLICO.

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Regresso ao parágrafo anterior. Não é contraditório considerar preocupante o resultado das eleições ganhas pelo partido neonazi e argumentar que os eleitores exerceram a democracia. O problema poderá estar a montante e foi finamente evocado por Tiago Rodrigues, numa entrevista recente do diretor do Teatro de Avignon à CNN Portugal. Eis o (nosso) dilema moral: devemos ser tolerantes com aqueles que gravitam na órbita da intolerância, correndo o risco de, ascendendo eles ao poder, extinguirem a democracia (e assim seremos os notários do fim da democracia)? Ou devemos ser intolerantes com os intolerantes, correndo o risco de repudiar os nossos princípios?

Se os neonazis foram admitidos a concurso eleitoral, que legitimidade temos nós, os que estamos vivamente preocupados com a sua cavalgada rumo ao poder, para desprezar os votantes neste partido, como se houvesse eleitores de primeira e de segunda? A democracia deve conter as suas próprias linhas vermelhas. A Constituição portuguesa delimitou esse perímetro de segurança e, mesmo assim, um partido de direita radical, com pessoas que não escondem em público a sua afeição pelo salazarismo ido, está em vias de rivalizar com os partidos centrípetos........

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