Mulher perigosa. Será que não conseguimos avançar?
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A velha e poderosa ideia de que a mulher é perigosa. Foi a primeira coisa que veio à minha mente quando li a matéria do PÚBLICO Brasil sobre a fala do Paolo Zampolli, conselheiro de Donald Trump, em relação às mulheres brasileiras. Parece ilógico que, em pleno 2026, crenças milenares próprias do obscurantismo da Antiguidade e da Idade Média sobrevivam — tão vivas — entre nós.
Parece que podemos ir várias vezes até à lua, descobrirmos curas para doenças consideradas incuráveis, desenvolvermos tecnologias que rompem as barreiras do, até há pouco, impossível; e, ao mesmo tempo, teimamos em não completar o nosso desenvolvimento emocional e cognitivo, mantendo vivas ideias e crenças criadas a partir de fábulas sem nenhuma comprovação científica que remetem à Idade Antiga. Como disse a jornalista Heloísa Villela, estamos vivendo um tempo de "sequestro cognitivo". Só pode ser.
Para mim parece que se abriu a tampa do bueiro e todo o submundo — o nosso inconsciente coletivo do mal — saiu e está, todo empoderado, tomando as ruas com seus gritos chulos, espalhando e fortalecendo a ignorância. Alguns anos atrás, até achava cômico que atitudes tão caricatas estivessem sendo expressas sem pudor. Ledo engano: o caricato para mim é a realidade de alguns e justificável por atender interesses, para outros.
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Mas vamos à crença de que a mulher é perigosa. Como todo sistema de domínio longínquo, as razões e as estratégias de sua existência são multifatoriais — mas aqui vou me restringir à ideia proposta pelo senhor Zampolli: por trás de sua fala, podemos criar toda uma linha de pensamento que diz que a mulher é perigosa, traidora, esperta e que é de sua natureza usar subterfúgios para "dominar" ou "dobrar" os homens e, assim,........
