menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

Minha mátria são as línguas portuguesas

14 0
27.04.2026

Os artigos da equipa do PÚBLICO Brasil são escritos na variante da língua portuguesa usada no Brasil.Acesso gratuito: descarregue a aplicação PÚBLICO Brasil em Android ou iOS.

Não sou mãe. Não quero ser, nunca quis, por motivos políticos e pessoais. Mas sou madrasta. O que é muito diferente de ser mãe. No caso da minha família hetero-centrada, sou mais uma substituta do pai. Na ausência dele, entro eu, a "sub-pai". Não tenho filhos, tenho enteados. "Enteados", esta palavra burocrática, sem a beleza e docilidade de "filho", "mãe", "pai", “avó”, “avô”. “Enteado”, “autarquia”, “autônomo”, "tramitação", palavras duras e frias.

No caso de enteados, nada a ver com a prática: uma relação de cuidados mútuos, carinho e um amor escolhido, esculpido, voluntário. Nunca fui obrigada a amá-los, decidi fazê-lo e minha vida prática e espiritual mudou radicalmente por isso. A linguagem e o amor são exercícios do espírito. Ainda assim, sou a Outra, sempre desencaixada. Familiar, próxima, íntima, no coração, no centro, mas a Outra.

Quer receber notícias do PÚBLICO Brasil pelo WhatsApp? Clique........

© PÚBLICO