Minha mátria são as línguas portuguesas
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Não sou mãe. Não quero ser, nunca quis, por motivos políticos e pessoais. Mas sou madrasta. O que é muito diferente de ser mãe. No caso da minha família hetero-centrada, sou mais uma substituta do pai. Na ausência dele, entro eu, a "sub-pai". Não tenho filhos, tenho enteados. "Enteados", esta palavra burocrática, sem a beleza e docilidade de "filho", "mãe", "pai", “avó”, “avô”. “Enteado”, “autarquia”, “autônomo”, "tramitação", palavras duras e frias.
No caso de enteados, nada a ver com a prática: uma relação de cuidados mútuos, carinho e um amor escolhido, esculpido, voluntário. Nunca fui obrigada a amá-los, decidi fazê-lo e minha vida prática e espiritual mudou radicalmente por isso. A linguagem e o amor são exercícios do espírito. Ainda assim, sou a Outra, sempre desencaixada. Familiar, próxima, íntima, no coração, no centro, mas a Outra.
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