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O poder da comunidade

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18.09.2026

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Há um gesto que atravessa toda a história humana: sentar em círculo. Antes da escrita, das cidades, de qualquer ideia de nação, os primeiros seres humanos já se organizavam ao redor de uma fogueira. Esse círculo não era decoração da vida ancestral, era condição de sobrevivência. Um indivíduo isolado, no Paleolítico, dificilmente resistia sozinho à fome, aos predadores, às intempéries. A comunidade foi a primeira tecnologia da humanidade, antes da roda, antes da agricultura.

É isso que antropólogos evolutivos, como o primatólogo britânico Robin Dunbar, chamam de hipótese do cérebro social: a ideia de que nossa inteligência cresceu, em boa parte, para administrar relações cada vez mais complexas. A capacidade de cooperar e compreender o outro não é acessório da espécie humana, é o que nos tornou humanos.

Vivemos, porém, numa época que celebra o indivíduo autossuficiente, a trajetória solitária de quem venceu por conta própria, o mérito individual como explicação suficiente para qualquer sucesso. É uma narrativa sedutora porque devolve ao sujeito a ilusão de controle total sobre a própria vida, a sensação de que bastam esforço e talento para vencer qualquer obstáculo.

Mas é, em grande medida, uma ficção. Nenhuma conquista humana relevante nasce isoladamente. Toda ideia que consideramos genial teve interlocutores, referências, apoios materiais........

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