Um cocktail molotov lançado contra a democracia
Eis uma lição que a vida me ensinou: as pessoas não acreditam na Coisa A ou na Coisa B porque andaram muitos anos a ler e a meditar sobre o assunto, mas porque a Coisa A ou a Coisa B encaixam no seu tipo de personalidade. E mesmo que depois essas pessoas passem muitos anos a ler e a meditar sobre o assunto, é apenas para terem argumentos para justificar a sua adesão à Coisa A ou à Coisa B, na qual já acreditavam de qualquer forma antes de começarem a estudar. Claro que há excepções, como há excepções em tudo, mas este é o padrão largamente prevalecente entre o Homo sapiens, e se tivéssemos plena consciência dele, duas excelentes consequências adviriam daí: 1) Passávamos a ser mais tolerantes para com os outros, porque as suas tendências para a baboseira são mais inatas do que adquiridas. 2) Passávamos a levar-nos menos a sério, porque todos nós padecemos do mesmo mal.
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