Serpa: Entre o cante e o calor
O miúdo desenha ziguezagues entre os repuxos. Numa viragem, escorrega e cai. A mãe, à porta do banco, segura o carrinho de bebé com uma mão, outra criança com a outra mão e ainda carrega mais uma no ventre. Promete‑lhe castigo. O miúdo ri, desafiador, enquanto analisa o quão molhado está. Talvez a conjeturar que o tamanho da molha será proporcional ao do castigo.
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O grupo de espanhóis que atravessa a Praça da República ri do tralho da criança. Desconhecem que o deslize do rapaz lhe vai valer um castigo. Eu não tenho vontade nenhuma de rir. Quando era miúdo, num Alentejo umas dezenas de quilómetros mais a norte, enfiei‑me de cabeça numa tina e quase me afoguei. E, ainda assim, levei uns açoites pelo descuido.
Quase todas as senhoras espanholas trazem abanicos na mão. E, na outra, queijadas. Pergunto a uma onde as compraram. Diz qualquer coisa muito depressa, que não entendo, e aponta para uma loja a uma dezena de metros.
"Queijada de Serpa." Escolho a mais queimada. Massa estaladiça e um elegante sabor a requeijão. Compro outra para o lanche, mas como-a antes de sair da loja, mesmo sabendo que tenho o almoço marcado para daqui a nada.
— Sente-se ali ao lado daquelas senhoras —, diz Xico Engrola, dono do restaurante com o mesmo nome.
Sento‑me. Provo as azeitonas, o pão e o queijo de cabra e sorrio para mim próprio: por mais queijadas que comesse, teria sempre apetite para isto.
— Há sangria? —, pergunta uma das........
