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O Coração Ainda Bate. O pomar da alegria

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15.06.2026

A infância está cheia de mistérios; alguns, verdadeiros enigmas, porque não soubemos usar as palavras para os resolver.  E permanecem, anos depois, envoltos numa bruma que não se dissipa. Serei só eu a ver essa neblina que não acaba? 

Fiz de novo o caminho que me levou durante anos até casa. A velocidade do carro não é muita e consigo dizer em silêncio os nomes dos que foram meus vizinhos. Cada casa tem um nome, mais do que um. É inevitável perguntar-me se ainda estarão vivos aqueles que compuseram o puzzle da minha infância. Mas não tenho respostas. Tenho ainda menos agora. 

Havia uma frutaria em frente da nossa primeira casa. É curioso como fomos os estranhos que chegaram de Lisboa para aterrar numa casa de verão e, um dia, quando tivemos uma casa só nossa, no meio do campo, voltámos a ser os estranhos que construíram uma casa nova no meio do pouco que havia entre milheirais.  Mas deixo o campo, para aterrar na casa de verão que agora é um restaurante. Quantas vidas tem uma casa? 

No nosso primeiro andar havia, em ferro e letra bonita, a inscrição: “O meu cantinho”. Alguém tinha chamado........

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