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Será a crise energética o impulso para a integração que a Europa ainda esperava?

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11.04.2026

A guerra no Médio Oriente voltou a recordar o que a Europa queria esquecer: a energia não é apenas um recurso económico, mas um instrumento estratégico capaz de moldar economias, influenciar decisões governativas e redefinir equilíbrios geopolíticos. Sempre que a instabilidade se instala numa região produtora ou numa rota estratégica, os seus efeitos fazem-se sentir muito além das fronteiras do conflito: a volatilidade nos mercados sobe os preços, a previsibilidade desaparece e a política transforma-se num exercício de gestão de urgência, revelando à Europa que a vulnerabilidade energética continua a ser estrutural.

O projeto europeu nasceu em torno da energia. A criação da Comunidade Europeia do Carvão e do Aço, em 1951, não foi apenas uma iniciativa económica, foi uma decisão política que procurava transformar recursos estratégicos, como o carvão e o aço, em instrumentos de cooperação e estabilidade.

Poucos anos depois, o Tratado Euratom reforçou essa lógica, estabelecendo com a Comunidade Europeia da Energia Atómica, a cooperação no domínio da energia nuclear civil. A energia não era vista como um detalhe técnico, mas como um pilar estratégico do projeto europeu.

A liberalização dos mercados energéticos nos anos 1990 e 2000 criou as bases para um mercado interno europeu de eletricidade e gás, mas manteve-se uma forte........

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