As cidades que antes eram desenhadas agora são resolvidas
Há ruas que já não nos dizem onde estamos. Podíamos estar em Lisboa, Madrid, Berlim ou em qualquer outra cidade que aprendeu a mesma linguagem visual: bancos discretos, candeeiros neutros, pavimentos contínuos, sinalética eficiente, fachadas limpas, praças requalificadas sem grande margem para surpresa. Tudo parece correcto, tudo parece funcionar, mas falta qualquer coisa difícil de nomear. Talvez seja carácter, talvez seja memória, talvez seja simplesmente a sensação de que aquele lugar não poderia existir da mesma forma em mais lado nenhum.
Durante muito tempo, reconhecíamos uma cidade não apenas pelos seus monumentos, pelas suas avenidas ou pelos seus edifícios mais emblemáticos, mas também pelos seus detalhes: um banco de jardim, uma guarda metálica, um candeeiro, uma porta, uma calçada, uma sombra, uma esquina. Eram elementos discretos, quase sempre ignorados, mas construíam a experiência quotidiana do espaço urbano. Não eram apenas soluções práticas; tinham intenção, pertenciam a uma linguagem comum entre arquitectura, rua e cidade.
Um candeeiro não servia apenas para iluminar, uma........
