Há petróleo no Beato
Trump decidiu fazer da Gronelândia aquilo que uma família do Beato fez quando julgou ter descoberto petróleo no quintal: alimentar o absurdo e apostar numa estratégia de risco, ignorando o óbvio.
No caso da família oriunda do Beato, tudo não passava de um programa televisivo dos anos 80, adaptado de uma peça de teatro do saudoso Raul Solnado. Movidos pela ganância, os seus membros geravam tensões e atritos com amigos e vizinhos, num enredo que rapidamente se afirmou junto do público, graças à eficácia com que a sátira era construída.
Ao invés disso, Trump não é uma personagem de ficção. É um protagonista real que exibe um ímpeto expansionista digno do século XIX, sendo que o verdadeiro absurdo reside no risco associado à exploração de petróleo e de outros recursos na Gronelândia.
Assiste-se a uma posição dos Estados Unidos da América em que o argumento da segurança e da geopolítica como factores determinantes apenas oculta o essencial. De facto, o degelo acelerado no Árctico, provocado pelo aquecimento global, está a abrir novas rotas de navegação e a aumentar a........
