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Soberania a crédito

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01.07.2026

Há inconsistências que o tempo torna irresistíveis e o governo de Luís Montenegro tem-nos presenteado com algumas. Entre 2011 e 2015, enquanto líder parlamentar do PSD no governo de Pedro Passos Coelho, Montenegro foi um dos rostos do extenso programa de privatizações da democracia portuguesa. Agora, anuncia a criação de um fundo soberano destinado a colocar o Estado no capital de empresas consideradas estratégicas.

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O momento escolhido dificilmente será acidental: o anúncio surgiu dias depois de o Chega ter inviabilizado a reforma laboral, sem pré-aviso e perante o país inteiro. A derrota não foi apenas legislativa, foi uma demonstração pública da fragilidade da maioria política que o Governo julgava ter construído à sua direita e expôs aquilo que durante meses tentou disfarçar: a inexistência de uma maioria reformista estável e a dependência permanente de equilíbrios parlamentares precários.

Ora, quando não se consegue controlar a narrativa de uma derrota, anuncia-se algo........

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