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Quando a literacia financeira passa a ideologia

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12.05.2026

O recente artigo de João Oliveira sobre literacia financeira gerou, previsivelmente, uma onda de reações na praça pública. Para lá das guerrilhas ideológicas e partidárias, o texto toca num ponto que merece atenção porque a ideia que o eurodeputado critica circula hoje pela Internet como uma verdade absoluta: a tese de que, se as pessoas soubessem gerir melhor o seu dinheiro, estariam melhor na vida. A literacia financeira é apresentada como emancipação individual, receita para a prosperidade, solução transversal para problemas que são, na sua raiz, profundamente estruturais.

Ninguém, no seu perfeito juízo, é contra o conhecimento. Saber distinguir um ETF de um depósito a prazo, entender o que são juros, perceber a relação entre risco e rendimento, perceber como se calculam e o que está na génese dos impostos...tudo isto é genuinamente útil, e seria desonesto negar que a IL tem razão nisso. O problema não está na literacia financeira em si, mas no papel que lhe foi atribuído e na forma como serve para encerrar conversas que deviam continuar abertas.

Quando esta conversa deixa de ser complementar e passa a substituir o escrutínio aos problemas de........

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