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A deriva após o auspicioso começo de João Lourenço

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10.06.2025

Preferia abrir um artigo sobre a situação em Angola, mas centrado na figura de João Lourenço, como este é, com uma manifestação de reconhecimento por algo como o mérito com que o seu presidente tem exercido o seu alto cargo. O conforto que isso para mim representaria, tendo em conta as expectativas benignas com que em 2017 acolhi a sua eleição, a maior parte das quais alimentadas pela convicção de estar perante “o homem certo”!

A situação em que Angola e os angolanos hoje estariam, melhor que em 2017, seria, porém, a parte mais gratificante do reconhecimento que gostaria de fazer, mas não posso fazer, proficuidade da acção de João Lourenço. Um balanço positivo do seu mandato, como o que adviria de uma melhoria da situação no país, teria sempre como premissa a acção de um bom governo, o seu.

Não sei se João Lourenço tem a devida consciência da sua impopularidade, tantas vezes vincada pela rudeza com que é tratado. A torre de marfim em que vive (o oposto da descontração que de início pareceu ter adoptado), já é, por si só, obnubiladora de uma precisa visão da realidade. Depois, há os “adoradores” que pululam à sua volta, as eles se juntando a legião de pró-cônsules que ao serviço do partido-Estado estão espalhados pelo país, uns e outros dizendo-lhe apenas aquilo que julgam querer ouvir.

A sua impopularidade é acima de tudo fruto de cavados sentimentos de descontentamento e/ou de desânimo, causados por um ror de males pelos quais aqueles que deles padecem instintivamente o responsabilizam. Os seus vastíssimos poderes têm a desvantagem de se transformar num ónus quando não são exercidos como no juízo da população deviam ser. E sentem que não são. Na penúria, nas desigualdades e nas injustiças que sofrem vêm a cara de João Lourenço.

O desemprego, a pobreza, a fome, a lástima em que vão o ensino e a saúde, alguns desses males, não são, tanto quanto se tenta fazer crer, fruto de adversas conjunturas económicas e financeiras ou de passados revezes pandémicos. Sequer dos cofres vazios que João Lourenço se queixa de ter encontrado. São sobretudo consequência de uma governação que convive com vícios antigos, porventura até ampliados, entre eles a incompetência, a alta corrupção de Estado e o esbanjamento de dinheiros públicos.........

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