Na Europa travamos antes de arrancar
O presidente da ASML, a empresa tecnológica mais valiosa da Europa, expôs numa entrevista recente um problema que já poucos se atrevem a ignorar: a Europa está a afastar empresas inovadoras com a sua regulação. A crítica dirigiu-se ao AI Act, o regulamento europeu para a inteligência artificial, que foi concebido e aprovado antes de a Europa ter uma indústria de IA capaz de competir com os gigantes americanos e chineses.
O diagnóstico é demolidor, mas não é novo. Vozes de diferentes países, sectores e dimensões dizem exactamente o mesmo. Ana Botín, presidente do Santander, alertou que a regulação excessiva mata a inovação. Börje Ekholm, da Ericsson, avisou que, se o rumo não mudar, não restará indústria na Europa. Fabricio Bloisi, da Prosus, resumiu o dilema europeu numa frase: “Estamos a perder e, ainda por cima, escrevemos regulação que nos faz andar ainda mais devagar.”
É verdade que quem dirige empresas pode ter interesse em menos regras. Mas, quando vozes de setores tão distintos convergem, o padrão deixa de ser conveniência e passa a ser um sintoma. São líderes de empresas que empregam centenas de milhares de pessoas e que conhecem a diferença entre operar na Europa, nos Estados Unidos ou na Ásia. Todos apontam no mesmo sentido: o continente que inventou o mercado único transformou-o numa teia de obrigações que sufoca quem quer criar algo........
