Gouveia e Melo: a vacina de que o regime precisa
Estávamos em plena pandemia quando o plano de vacinação arrancou. O país vivia num clima de medo legítimo, escassez e incerteza, e a vacinação era, literalmente, uma questão de vida ou de morte para milhares de portugueses. Ainda assim, o Governo socialista de António Costa entendeu que aquele era o momento ideal para nomear um apparatchik de partido para coordenar a task force. Um produto típico da máquina: politicamente bem colocado, tecnicamente frouxo e moralmente indiferente. O resultado foi exactamente o que se podia esperar de um regime governado por boys de partido.
O processo revelou-se caótico, pouco criterioso e permeável ao favoritismo. Pessoas saudáveis, por força do cargo, do estatuto ou do compadrio, passavam à frente de populações vulneráveis. As prioridades clínicas eram substituídas por prioridades sociais. O Estado deixava de proteger para começar, como tantas vezes, a distinguir. O escândalo instalou-se, não por excesso de exigência pública, mas porque a........
