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Abusos na Igreja: o Estado cobra imposto à dor

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12.04.2026

O Estado português decidiu que a dor paga imposto. Não o diz assim, claro, prefere a elegância técnica, o conforto das categorias, a segurança do Código do IRS. Mas, despido de linguagem jurídica, é exatamente isto: há vítimas de abusos sexuais que recebem uma compensação e o Estado entende que uma parte desse valor lhe pertence.

Creio não ser por maldade mas sim por coerência. É esta a palavra que tudo justifica. Coerência. A mesma coerência que transforma um sofrimento em rendimento, um trauma em acréscimo patrimonial e uma dignidade violada em matéria coletável. A máquina fiscal não distingue e por incrível que possa parecer orgulha-se disso. Trata todos por igual, dizem, como se a igualdade, aplicada sem critério, não fosse por vezes apenas uma forma sofisticada de injustiça. Dir-se-á que a lei é........

© Observador