Devoção popular: folclore ou teologia viva?
As festas e romarias populares abrem a nova temporada nos finais de janeiro e inícios de fevereiro. Todos os anos regressam as mesmas críticas: “as romarias são folclore”, “as procissões são superstição”, “o povo mistura fé com espetáculo”. Esta leitura apressada revela mais preconceito do que compreensão e ignora algo decisivo: a devoção popular é um dos grandes tesouros espirituais do catolicismo.
O Diretório sobre a Piedade Popular e a Liturgia (2001) recorda que estas expressões não são adereços periféricos, mas “uma autêntica forma de inculturação da fé”. Nelas, o Evangelho ganhou rosto, canto, gesto, caminho e comunidade. Quando alguém acende uma vela, sobe até um santuário a pé ou acompanha uma procissão, não está a “fazer teatro religioso” – está a rezar com o corpo inteiro.
São Paulo VI, na Evangelii Nuntiandi, advertia que a religiosidade popular contém uma “sede de Deus” e uma sabedoria espiritual que........
