Ainda há políticos com sentido de Estado?
Da classe política, partidariamente activa e inactiva, apenas um estranhou. Foi Pedro Passos Coelho. Só ele, que eu tenha notado, disse que o director da Polícia Judiciária não deveria ter transitado da polícia para o governo. E disse bem: o director da PJ não deveria ter sido convidado; convidado, não deveria ter aceitado; tendo aceitado, não deveria o presidente ter-lhe dado posse. Bem sei: não é ilegal o director de uma polícia subir a ministro. Mas é constitucionalmente degradante. A separação de poderes e de instituições, para ser efectiva, tem de ser separação de pessoas e separação de estilos. Não basta corresponder a órgãos diferentes: precisa de corresponder a carreiras e a comportamentos diferentes dos titulares desses órgãos. O governo e a polícia não são a mesma coisa, a não ser nas ditaduras, onde aí, sim, vemos directores de polícia passar a ministros, e vice-versa. Num Estado de direito democrático........
