Entre ventos e tempestades
Na madrugada de quarta-feira, à “hora do diabo”, um pouco depois das três da manhã, acordei com ventos fortes e chuva intensa. De manhã, o que encontrei à minha volta foi uma amostra do que deverá ser o Inferno. Sem luz nem comunicações desde a madrugada, saí para Lisboa porque o Oeste continuava sem eletricidade nem rede. Às sete da manhã, na A8 até Torres Vedras, o cenário que encontrei foi de completa destruição: árvores no asfalto, chapas e plásticos a cruzarem a via, troços às escuras, antecipando o que só mais tarde percebi que tinha acontecido.
Um fenómeno como a tempestade “Kristin” é excecional. Sejamos claros, não há planificação que trave o ímpeto de ventos com rajadas da magnitude das que foram registadas. Acresce que anos de mau planeamento urbano e territorial ampliam o potencial de estragos. A forma como desenhamos o espaço urbano, paredes meias com o mundo rural, assente em construções muito fracas, muitas delas envelhecidas, uma rede elétrica que precisa ser melhorada, e uma habitual incapacidade de nos prepararmos para eventos extremos, tornam Portugal, esse país que só se lembra de Santa Bárbara quando chove, particularmente vulnerável nestas situações.
Ainda assim, passados alguns dias após a tragédia, todos sentimos que muita gente podia ter feito muito melhor. Desde logo, um episódio desta dimensão, conhecido do IPMA dias antes, foi comunicado à população a meras 12 horas e sem instruções concretas. Não se recomendou proteger as fachadas,........
