Cada doente é única: cancro da mama
“Também tive cancro da mama.” É uma frase comum, que os doentes reproduzem na consulta quando comentam o que aconteceu com uma amiga, vizinha, ou alguém conhecido. Na realidade, o intuito da frase traduz uma boa intenção, solidariedade, pretendendo dar suporte emocional. No entanto, são vários os tipos biológicos de cancro de mama, sendo que cada um deles apresenta comportamento e prognóstico distinto, com tipos de tratamento e respetivo resultado diferente. Desta forma, cada situação acaba por ser única, o paralelismo pode assim ser prejudicial, criando dúvidas e expectativas desajustadas.
Claro que uma partilha de experiências pode ser benéfico para ultrapassar este diagnóstico tão difícil, dando um apoio complementar ao da consulta, mas é importante destacar que o caminho, apesar de ser o mesmo, pode ser feito de forma distinta; não é melhor, nem pior, mas apenas diferente. Na consulta de oncologia, por detrás do mesmo diagnóstico, “cancro da mama”, estão um grupo de doenças biologicamente heterogéneas, sendo importante explicar a cada doente o seu diagnóstico, as suas particularidades, o porquê dos tratamentos propostos, dando-lhe oportunidade de percecionar a trajetória oncológica que se está a iniciar. É fundamental adaptar a consulta a cada pessoa, à sua........
