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Do petróleo ao supermercado: o impacto da guerra com o Irão

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16.03.2026

Houve um momento, em 2022, em que a guerra deixou de ser apenas uma notícia distante e passou a ser uma conta para pagar. Primeiro, foi na bomba de combustível. Depois, no supermercado. Mais tarde, na prestação da casa. Em Portugal, a inflação chegou aos 10,1% em outubro de 2022 e o ano fechou com uma média de 7,8%, a mais alta em décadas. O que começou como um conflito entre Rússia e Ucrânia acabou por entrar, sem pedir licença, no orçamento das famílias portuguesas.

Na altura, a sequência foi clara: energia mais cara, custos de transporte e produção a subir, alimentos pressionados, inflação persistente e bancos centrais forçados a manter uma postura dura durante mais tempo. A guerra na Ucrânia não mexeu apenas com gás e petróleo, mexeu com cereais, fertilizantes, cadeias logísticas e com a própria confiança da economia europeia. Foi nesse contexto que a União Europeia acelerou o REPowerEU, um plano para reduzir rapidamente a dependência dos combustíveis fósseis russos, diversificar fornecedores e acelerar a transição energética. A Europa entrou em correção estratégica porque percebeu que depender demasiado de uma origem energética podia sair muito caro.

Agora, em 2026, o receio voltou. Desta vez, pela escalada militar em torno do Irão e pelo risco de perturbação num dos pontos mais sensíveis do sistema energético mundial: o Estreito de Ormuz. Em 2025, passaram por ali perto de um quarto do comércio marítimo mundial de petróleo, e a rota é também crítica para o gás natural liquefeito. Mesmo quando nem toda essa energia vem para a Europa, o preço forma-se num mercado global e, quando esse mercado entra em stress, Portugal sente-o na mesma.

É isso que está a acontecer agora. Em poucos dias, o Brent chegou a subir........

© Observador