Os investigadores e o descaso
Acordou esta manhã, provavelmente com uma dor de cabeça ligeira, e engoliu um ibuprofeno. Não pensou nas décadas de triagem molecular que tornaram aquele comprimido branco possível. Simplesmente engoliu-o, confiando cegamente que não o mataria, mas que, pelo contrário, iria inibir as suas enzimas com precisão de atirador furtivo.
Movemo-nos pelo mundo com um conforto arrogante, assumindo que a saúde é um fenómeno natural, como a chuva. Esquecemo-nos de que cada intervenção que nos salva a vida é uma vitória arrancada ao desconhecido à força, por alguém, algures, a olhar para um microscópio até os olhos arderem.
Vivemos um momento de agitação social crucial em Portugal. Médicos e enfermeiros enchem as praças, exigindo — com toda a legitimidade — dignidade. Vemo-los. Aplaudimo-los. Eles são a linha da frente. Mas, na retaguarda, nas trincheiras invisíveis dos laboratórios e caves dos institutos, encontra-se um exército de profissionais ainda mais precário: os investigadores.
A Arquitetura Invisível da Sobrevivência
Sejamos honestos: sem o investigador, o........
