menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

Uma presidência para o século XXI

10 0
05.02.2026

Para que serve um presidente? Nunca foi fácil às repúblicas responder a esta pergunta. As mais puristas, inspiradas no exemplo da antiga Roma e saídas da Revolução Francesa, evitaram por longo tempo uma chefatura de Estado unipessoal e, pois, mono-árquica. Com efeito, a República romana não atribuía o governo a um magistrado supremo, mas a dois cônsules. Já a República francesa seguiu-a na busca da liderança colectiva: prescindiu, de início, de um chefe; da Convenção ao Directório e do Directório ao Consulado, que passou dos dois cônsules de Roma a três, a Revolução evitou uma figura tutelar até à coroação de Napoleão — por si mesmo — como “Imperador dos Franceses”. A “presidência”, espécie de ersatz republicano da figura do monarca, teria de esperar por um outro Bonaparte, sobrinho do primeiro, para que a inventassem. Fê-lo Luís Napoleão, cavalgando a onda de confusão europeia do pós-1848. Abolida de seguida pelo II Império, a nova instituição regressou, em versão desossada, após a derrota de 1870 frente a Bismarck.

Acabou por cá chegar. Vítima de uma francofilia mimética e asfixiante, Portugal copiou dos franceses a República, a face da República (Marianne) e as instituições da República. Em........

© Observador