Tem a Loucura Razão ?
Nota Introdutória
Este texto nasce da convicção de que algumas obras clássicas não pertencem apenas ao passado, mas funcionam como verdadeiros instrumentos de leitura do presente. O Elogio da Loucura, de Erasmo de Roterdão, escrito em 1511 como sátira humanista e crítica moral do poder, revela-se surpreendentemente atual quando confrontado com as crises sociais, políticas e éticas do nosso tempo Será, então, através da “loucura”, que é uma espécie de «mundo às avessas» que se irá tentar compreender o que está às avessas na própria realidade.
Partindo do contraste erasmiano entre “sábios” e “estultos”, o texto propõe uma reflexão sobre a banalização da irresponsabilidade, a fragilização do bem comum e a transformação da vida humana em mero dado estatístico.
O lugar de nascimento desta loucura são As Ilhas Afortunadas , onde há felicidade e alegria. Ali foi alimentada pelas ninfas Embriaguez (filha de Baco) e Rusticidade (filha de Pan) e outra ninfas a acompanham, o que dá à loucura também, o seu poder .A referência a Thomas More e à sua Utopia , nascida nestas Ilhas, serve como contraponto crítico, evidenciando o afastamento progressivo de ideais de solidariedade e cuidado que deveriam estruturar a vida coletiva.
Num segundo momento, a reflexão desloca-se deliberadamente do plano da crítica cultural para o da proposta antropológica e teológica, sugerindo que a Encarnação cristã — assunção radical da fragilidade humana, verdadeira revolução ontológica que subverte a lógica do poder e da exclusão , pois quando Deus se torna “carne”, a fragilidade deixa de ser um estigma para se tornar o lugar teofânico por........
