IA, educação e o colapso da modernidade
O debate sobre inteligência artificial continua preso a uma ilusão confortável: a ideia de que temos três, cinco ou mais anos para nos adaptarmos. Essa suposição não corresponde à realidade. A curva de evolução é exponencial, não linear, e o ponto de viragem mede se em poucos anos, talvez mesmo em meses. Possivelmente foi já ultrapassado em Novembro com o lançamento do Opus 4.6 (o modelo mais forte da Anthropic): tornou-se claro que a melhoria recursiva na IA está em curso e que, segmento a segmento, a transição do trabalho cognitivo humano para o baseado em IA já chegou.
Estamos perante o colapso silencioso das estruturas que definiram a modernidade: empregos, universidades, profissões, carreiras, sistemas de avaliação, modelos de autoridade. Tudo o que foi construído sobre uma premissa que deixou de ser verdadeira: a escassez de inteligência humana. A IA não está apenas a aumentar a produtividade. Está a absorver a própria inteligência. E quando a inteligência se torna um bem abundante, tudo se altera.
Daniel Kahneman classificou “inteligência” em dois sistemas cognitivos: um responsável pela intuição e outro responsável pela análise. A IA funciona como um 3º sistema: um motor cognitivo externo ao cérebro humano.
Um estudo recente da Wharton........
