A carreira profissional feita numa escada rolante
Há alguns anos, numa conversa com uma colega, após tê-la felicitado por ter conseguido conquistar uma vaga num hospital do SNS, perguntei-lhe que projetos é que pretendia pôr em prática no futuro próximo. A resposta foi surpreendente: “Não tenho projetos. Agora estou na escada rolante. Não preciso de fazer nada de especial. Basta-me esperar e a carreira faz-se por si própria”. Fiquei surpreendido com a resposta, mas com o passar dos anos compreendi o alcance da profecia: há muitas pessoas na “escada rolante” que se limitam a cumprir os mínimos, e a carreira faz-se, não propriamente pelo mérito, mas apenas pela espera.
É através do trabalho, do esforço e da inovação, que o homem deve contribuir para a elevação científica, tecnológica e cultural da sociedade. Mas este comportamento comporta riscos e obriga a um forte empenho individual que nem todos querem ter. A progressão automática nas organizações não é positiva, já que a antiguidade passa a valer mais do que o mérito. Pode pensar-se que este fenómeno é exclusivo do funcionalismo público, onde faltam muitas vezes os mecanismos de avaliação........
