Catarina e a beleza de matar fascistas: da teoria à prática
Quantos graus na escala de Richter teria o sismo se alguém se lembrasse de escrever uma peça de teatro intitulada “Anabela e a beleza de matar esquerdalhos”?
(Primeira observação, para o(a) leitor(a) não tirar conclusões precipitadas: este texto não é um panegírico ao protofascismo – para mim, a modalidade é execrável; mas incluo na confraria dos não recomendáveis os que se alistam na esquerda radical e na extrema-esquerda e pouco ficam a dever aos protofascistas na linhagem dos totalitários.
Segunda observação: a hipótese formulada no início do texto aproveita intencionalmente um termo – “esquerdalhos” – que é depreciativo de acordo com alguns que se situam à direita. Se o recurso a “fascista” se banalizou de tal modo que o termo se esvaziou de significado, os que gravitam na órbita contrária fazem gala em rebaixar os radicais dessa extração, apelidando-os de “esquerdalhos”. Desamor com desamor se paga.)
Pese embora a declaração de interesses deixada como mnemónica para a interpretação das ideias aqui expostas, admito que a cegueira de fação que consome a lucidez dos radicais depressa tenderá a encostar-me às imediações dos protofascistas. Será um problema de quem me julgar dessa forma. A exacerbação dos sentidos e o caldo de emoções destravadas em que fervem os radicais impedi-los-á de reconhecer o lugar em que me situo, o lugar de um moderado que tanto se incomoda com o radicalismo dos protofascistas como dos radicais de esquerda e de extrema-esquerda.
Já vão longos os prolegómenos. Quando assisti à estreia da........
