O erro está na pergunta: presencial ou online não é o que im
O recente comunicado da Ordem dos Médicos sobre a emissão de atestados para a carta de condução parece, à primeira vista, prudente. Lido com atenção, no entanto, revela uma visão moralizante do exercício médico que confunde ética com deontologia e ignora o contexto real de uma saúde em transformação digital. Em 2026, discutir meios como se fossem fins é um anacronismo que pouco acrescenta à qualidade do cuidado e, neste caso, à segurança rodoviária. A discussão pública fica presa ao formato, mas o formato nunca foi o problema.
Comecemos pelo essencial. Não há aqui um dilema ético clássico, como violar a autonomia do doente ou trair princípios de beneficência, não-maleficência justiça. O que está em causa é a responsabilidade do médico de decidir com base em informação clínica suficiente, relevante e bem documentada. Se essa base não existe, a falha não é ética, mas profissional e deontológica. A opção entre presencial e telemedicina é apenas o meio. O critério que importa é a qualidade dos dados, a solidez do registo e a capacidade de........
