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Médicos de família - Liberdade de opinar e dever de saber

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11.07.2026

A liberdade de expressão é um direito fundamental, mas a credibilidade da palavra pública é uma responsabilidade. Quanto maior for a influência de quem fala, maior deve ser o cuidado com o rigor do que afirma. Vivemos num tempo em que a opinião circula mais depressa do que o conhecimento e em que, demasiadas vezes, a narrativa se sobrepõe aos próprios factos.

Numa democracia, todos têm direito à sua opinião. Mas a opinião que pretende influenciar o debate público deve ser sustentada numa base de conhecimento sólido, experiência, evidência e contexto, sobretudo quando divulgada publicamente. Quando temas complexos são reduzidos a slogans, quando se confundem perceções com factos ou quando soluções simplistas são apresentadas como respostas evidentes para problemas difíceis, o debate público empobrece.

Como recordava Daniel Patrick Moynihan, senador democrata e académico norte-americano, «todos têm direito à sua própria opinião, mas não aos seus próprios factos».

A saúde é um dos domínios onde essa exigência é particularmente elevada. Estamos a falar de decisões que influenciam a vida das pessoas, a sustentabilidade das instituições e a confiança dos cidadãos nos serviços públicos. Não basta emitir opiniões sobre saúde; é preciso fundamentar a discussão de forma concreta e sustentar as conclusões com base em factos.

Não faltam exemplos de reflexões públicas, alguns recentes, que tratam os médicos especialistas em Medicina Geral e Familiar, comummente designados como médicos de família, como se fossem uma designação organizacional, uma marca administrativa ou um conceito passível........

© Observador