Ventura deveria aceitar o repto de Pacheco Pereira?
Foi no último programa d’O Princípio da Incerteza da CNN Portugal, que José Pacheco Pereira lançou um ardil ao líder do Chega, André Ventura, a propósito das declarações proferidas por este na Assembleia da República nas comemorações do quinquagésimo aniversário da Constituição. Trata-se de uma armadilha, de uma armadilha de um historiador a um político: um debate entre os dois, com a duração de pelo menos uma hora, onde cada afirmação proferida por qualquer das partes durante o mesmo deve ser devidamente “provada”, ou seja, fundamentada através de documento ou de testemunho. Para começar, o comentador portuense pretende situar-se no seu próprio plano, isto é, no plano da História, disciplina com uma forte estrutura documental, seja na tradição escrita seja na tradição oral – dos factos, como refere. Por isso fala profusamente em documentos e objetos. Sendo Pacheco Pereira (PP) um homem dos papéis (no feliz retrato de António Lobo Xavier) partiria em vantagem: Ventura, jurista de formação, não dispõe nem nunca dispôs de um espólio esmagador ao nível do EPHEMERA.
PP pretende dar a entender que as questões levantadas por Ventura são da ordem da simples cronologia: há um rasto único e bastará seguir as migalhas para conhecer os fenómenos ocorridos. Tem a clara intenção de despir a disciplina de qualquer tentativa de interpretação ou fenomenologia, de hermenêutica – a História, segundo PP, é pura. Nesta pureza assenta a sapiência do preponente: ele, o único historiador presente na sala, seria, simultaneamente, testemunha, advogado e juiz. No fundo, não se estaria perante um verdadeiro debate: lição seria o termo mais adequado. PP quer que nos esqueçamos de que a discussão é política, arrumando tudo nos anais da disciplina que ele domina.
Contudo,........
