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O novo choque energético e a vulnerabilidade portuguesa

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29.09.2026

O atual choque energético agravou-se a partir de junho, entrando numa segunda fase ditada pela forte aceleração das margens de refinação, sobretudo do gasóleo e da gasolina, precisamente numa altura em que o Brent recuava dos cerca de 120 dólares por barril atingidos em abril e maio para perto dos 70 dólares.

Stocks de produtos refinados abaixo do normal explicam os sucessivos máximos históricos dos preços da gasolina e do gasóleo na Europa, que, por sua vez, impulsionam as margens de refinação.

A Vitol, uma das maiores empresas privadas de negociação de energia do mundo (compra, venda, transporte, armazenamento e distribuição), estima que cerca de 4 milhões de barris diários de produtos petrolíferos refinados vindos da Rússia e do Médio Oriente deixaram de estar disponíveis. As exportações de gasóleo do Médio Oriente caíram para cerca de 800 mil barris por dia, metade do nível de há um ano. Na Europa, os stocks de gasóleo na ARA, Amesterdão-Roterdão-Antuérpia, estão perto dos mínimos de quatro anos e os de gasolina atingiram recentemente o nível mais baixo desde setembro de 2021. Os alertas da Vitol ganham maior relevância pela proximidade da empresa ao mercado físico.

Se os preços do gasóleo e da gasolina em Portugal ultrapassarem 2,50 euros por litro, a situação tornar-se-á bastante mais preocupante, sobretudo se se aproximarem dos 3 euros. A inflação importada aumentaria e a elevada dependência energética do........

© Observador