O Governo olhou para o fundo do mar
Há lugares onde a História se ergue em pedra e Portugal escreveu-a também nas profundezas do oceano. A baía de Angra do Heroísmo constitui talvez o mais extraordinário exemplo dessa realidade. Sob as suas águas repousam mais de noventa embarcações de diferentes épocas e nacionalidades, testemunhas silenciosas de um Atlântico que, durante séculos, foi o centro das comunicações entre continentes. Galeões portugueses, navios espanhóis, embarcações inglesas, francesas e holandesas transformaram aquele pequeno porto açoriano num dos mais importantes arquivos da navegação mundial.
Cada naufrágio constitui uma cápsula do tempo. Enquanto uma fortaleza, um mosteiro ou um palácio conheceram sucessivas reconstruções ao longo da sua existência, um navio conserva frequentemente o instante exato da sua perda. O arqueólogo encontra a carga onde foi guardada, a porcelana onde foi acondicionada, os instrumentos de navegação onde o piloto os utilizou pela última vez, os canhões ainda voltados para um inimigo que talvez nunca chegasse a ver. Poucos testemunhos materiais permitem compreender uma época com tamanha autenticidade.
A História de Portugal não terminou na linha da costa. Continuou mar adentro. Ali permanecem........
