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Porque é que violamos as regras sem admitir que as violámos

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20.07.2026

A recente polémica em torno da suspensão do jogador da seleção americana de futebol,  Folarin Balogun, no Mundial de Futebol de 2026 parece, à primeira vista, apenas mais uma controvérsia desportiva. Penso que não é. Na realidade, oferece uma oportunidade rara para refletirmos sobre um mecanismo muito mais profundo e universal: a nossa extraordinária capacidade para contornar regras… sem nunca admitirmos que as contornámos.

Já reparou que as maiores ameaças ao Estado de Direito raramente chegam pela porta da ilegalidade?  Elas entram pela janela das exceções. Na verdade, o problema raramente começa quando alguém viola uma regra. Começa quando consegue fazê-lo convencido de que continua a cumpri-la.

Penso que todos nós, em geral, aceitamos a ideia de que as regras são uma das maiores invenções da civilização. Elas não surgiram para tornar o mundo mais justo nem para limitar a liberdade individual. Surgiram simplesmente porque sociedades sem regras tendem a transformar-se em sociedades onde prevalece a força, a arbitrariedade e a incerteza.

Desde os primeiros grupos humanos até aos Estados modernos, as regras permitiram reduzir conflitos, estabilizar expectativas e tornar possível um fenómeno extraordinário que é a cooperação entre milhões de pessoas que nunca se conhecerão.

Mas, ao mesmo tempo, existe um paradoxo tão antigo como a própria civilização.

Gostamos das regras. Desde que nos favoreçam.

Quando deixam de servir os nossos interesses, raramente defendemos a sua abolição. Preferimos algo muito mais sofisticado como reinterpretá-las, encontrar exceções, explorar ambiguidades ou descobrir mecanismos legais que permitam obter o resultado desejado sem assumir que a regra foi, afinal, contornada.

A........

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