Credencialistas e merdificação do ensino superior
No ensino superior, entre professores e alunos temos, muitas vezes, as quatro gerações na mesma sala de aula: Baby Boomers (nascidos até 64); Geração X (1965-80); Geração Y (1981-96) e Geração Z (nascidos a partir de 1997).
Este quadro já implica relações de valores com o trabalho e a educação profundamente diferentes. Ora a gestão de tais diferenças é impossível num sistema que ainda segue o ensino de massas e o mesmo tipo de avaliação para todos, apesar das suas diferenças.
Se temos (e temos) estudantes com fortes motivações académicas e outros com fortes motivações profissionais, temos também, cada vez mais, em sala de aula, presentes-ausentes ou mesmo ausentes-presentes: aqueles que de facto só aparecem em situação de avaliação. Ora estes credencialistas (cujo único objectivo é obter a credencial) são cada vez em maior número, influenciando de forma clara todo o processo de ensino-aprendizagem e as próprias instituições.
Os credencialistas são de vários tipos. Há os nem-nem (não querem aprender nem serem ensinados); os clientes (para quem a universidade é um lugar de consumo de diplomas); os oportunistas (que (ab)usam dos elementos a seu favor, pessoais ou institucionais – seja a cor da pele, o género, a deficiência, o associativismo, o regulamento, etc.) ou os cretinos digitais (seja no telemóvel a jogar, ligando o computador na sala para ver futebol ou, agora, delegando o cérebro no ChatGPT). No entanto, todos eles, apesar das diferenças, têm como valor comum e acima de todos os demais, a performatividade: obter o diploma, a credencial.
O diploma é um direito que consideram ter à partida, tomando a universidade como um espaço de consumo (como um ginásio, um supermercado ou uma loja de materiais de........
