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Podemos falar dos Estaleiros de Viana?

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28.08.2026

À exceção do futebol, tenho alguma dificuldade com maniqueísmos. Infelizmente, o debate público está pejado de confrontos sobre-humanos vendidos como combates entre iluminados e bestas. Hoje só se é inteligente quando se arrasa alguém ou se deixa o outro “sem pio”. Ceder, compreender ou dar a face é visto como fraqueza.

Na semana passada, o Expresso noticiou que os Estaleiros de Viana têm encomendas até 2030. A notícia tem gerado debate entre aqueles que se agarraram a estes números para enaltecer o sucesso da privatização e aqueles que preferem ver nestes dados uma viabilidade empresarial desperdiçada pelo Estado. Não quero falar sobre isso. O meu ponto é diferente. Creio que ambos os lados têm dificuldade em compreender o que as pessoas de Viana sentem face a isto e, em consequência, as mudanças de época que atravessamos. Para uns, os vianenses são uma espécie de primatas que não entendem a mais elementar racionalidade económica. Para outros, os vianenses são uns comodistas burgueses que desistiram de lutar. Nem uma coisa, nem outra.

Quando, ainda hoje, as pessoas falam com saudade dos Estaleiros, não têm saudades de uma empresa falida. Quando, na altura da transição para a Martifer, existiu um grande volume de protestos, a maioria das pessoas não queria continuar a trabalhar numa empresa em dificuldades. Não existiam pessoas mais insatisfeitas com a situação do que os próprios trabalhadores. As pessoas queriam era que os Estaleiros continuassem a ser o que sempre representaram para elas.

Para quem é de Viana, os Estaleiros representaram a........

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