O Ministério procura professores, mas continua a desperdiçar
Há uma contradição extraordinária no sistema educativo português: o Ministério da Educação passa o ano a dizer que faltam professores, as escolas desesperam por docentes, multiplicam-se horários sem colocação e flexibilizam-se regras de contratação, mas depois o próprio Estado continua a ignorar formações universitárias perfeitamente capazes de responder a parte desse problema. E não estamos a falar de cursos obscuros nem de formações duvidosas. Estamos a falar de cursos reconhecidos oficialmente pelo próprio Estado português, alguns deles com uma densidade científica e cultural muito superior à caricatura administrativa com que muitas vezes são tratados.
O caso da Teologia é talvez o exemplo mais evidente. Para o Ministério, um licenciado em Teologia serve praticamente apenas para lecionar Educação Moral e Religiosa Católica. E isto revela uma visão profundamente ignorante — ou profundamente preconceituosa — sobre aquilo que um curso de Teologia realmente é. Um curso de Teologia não é apenas religião. É Filosofia, História, Ética, Antropologia, Hermenêutica, pensamento clássico, Latim, Grego, literatura antiga, interpretação textual e história da cultura europeia. Em muitos cursos, metade da formação é filosófica. Há estudantes de Teologia que estudam Aristóteles, Santo Agostinho, Tomás de Aquino, Kant ou Hegel com muito mais profundidade do que alunos de cursos que automaticamente aparecem reconhecidos para determinadas áreas do ensino.
Então a pergunta é inevitável: porque razão um licenciado em........
