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As contas da Igreja: antes de exigir, é preciso saber ler

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Há uma curiosa tendência nacional para considerar que tudo o que envolve dinheiro e Igreja Católica é, à partida, suspeito. Se uma paróquia tem dinheiro, é porque enriquece à custa dos fiéis. Se não tem, é porque administra mal. Se recebe donativos, vive à custa dos outros. Se procura outras formas de financiamento, transforma-se numa empresa. E, se disponibiliza um terminal de pagamento eletrónico, quase parece que instalou uma caixa multibanco à porta do Céu. Convenhamos: não é fácil agradar a todos.

A questão das contas da Igreja merece ser discutida, mas talvez estejamos a começar a discussão pelo sítio errado. Mais importante do que exigir números é saber lê-los. Porque a transparência, por si só, não garante a compreensão. E uma sociedade que confunde sistematicamente receita com lucro, património com riqueza disponível e investimento com enriquecimento pessoal dificilmente fará uma leitura justa das contas de qualquer instituição.

O problema não é exclusivo da Igreja. Todos os dias ouvimos análises apaixonadas sobre o défice, a dívida pública ou o Produto Interno Bruto. E, contudo, nem sempre sabemos distinguir estes conceitos. Isso não impede ninguém de ter opinião sobre as contas do Estado. Mas uma opinião não se transforma em conhecimento apenas porque é expressa com convicção. Com a Igreja acontece algo semelhante, agravado por um desconhecimento profundo da sua organização. Fala-se de emolumentos, intenções de missa, ofertórios, património paroquial ou rendimentos de santuários como se tudo fosse a mesma coisa e acabasse no mesmo bolso.

Quantas vezes se ouve que os padres........

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