O Ocidente não nasceu tolerante
Existe uma ideia muito repetida no debate contemporâneo: a de que a tolerância religiosa é um valor intrínseco da civilização ocidental. Como se a Europa tivesse nascido pluralista e iluminada, naturalmente aberta à diversidade de crenças.
A história diz-nos outra coisa.
Aquilo a que hoje chamamos “civilização ocidental” nasceu num mundo profundamente religioso e profundamente violento. Durante grande parte da Antiguidade, o Mediterrâneo era dominado por universos pagãos, sistemas politeístas complexos como os do Egipto, da Grécia e de Roma, onde múltiplos deuses coexistiam sem exigir exclusividade absoluta.
O monoteísmo introduziu algo radicalmente novo na história religiosa: a ideia de verdade única.
O judaísmo foi o primeiro grande sistema religioso a afirmar essa exclusividade. Contudo, vários estudos históricos sugerem que o judaísmo primitivo passou por uma fase henoteísta, reconhecendo um deus supremo sem necessariamente negar a existência de outros. Foi a partir desta tradição que nasceriam duas outras grandes religiões abraâmicas: o cristianismo e o islão.
Todas partilharam a mesma raiz geográfica no Médio Oriente.
Mas foi o cristianismo que acabou por moldar a identidade política e cultural da Europa.
A partir do momento em que o cristianismo se tornou religião dominante do Império........
