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PREC – Processo de Reflexão em Curso

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14.04.2026

Há várias coisas estranhas, e por isso mesmo interessantes, nos concertos de Lux Tour, que Rosalía trouxe na semana passada a Lisboa. Estranhas, naturalmente, no sentido em que parecem não encaixar e não obedecer, na medida em que não permitem que as coisas se reduzam a categorias sociológica, intelectual ou mesmo politicamente confortáveis, como as que nos permitem sair de um espectáculo e voltar às nossas vidinhas com a sensação de que percebemos imediatamente tudo o que ali se passou. Com Rosalía tudo é outra coisa. Mais do que entretenimento, menos do que liturgia, uma multidão nada uniforme absolutamente improvável. Entre betos, queers, cinquentões conservadores ou miúdos mascarados saberão eles de quê, a amálgama parece um carnaval espontâneo não autorizado, onde todos se reuniram, partilhando não apenas o mesmo espaço físico, mas o mesmo lugar de humanidade, como se, por instantes, cada um fosse capaz de aceitar que o outro existe sem necessidade de........

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