Sócrates e o advogado mais odiado do mundo
Era o advogado mais odiado do mundo — e atenção que, como toda a gente sabe, a concorrência é grande. Chamava-se Jacques Vergès, mas ficou conhecido, muito apropriadamente, como “advogado do terror”, ou, mais prosaicamente, como “advogado do diabo”. Percebe-se: teve como clientes, por exemplo, o oficial nazi Klaus Barbie, um dos líderes dos Khmer Vermelhos e o terrorista Carlos, o Chacal. Mas não nos vamos perder, neste momento, com a notoriedade sanguinolenta da sua lista de clientes. O mais relevante para quem vive em Portugal em 2026 não é saber quem é que Jacques Vergès defendia, mas como é que ele os defendia.
Em 1968, Vergès publicou o livro “Da estratégia judiciária”, onde explicava, com indisfarçável prazer, a forma como se comportava em tribunal quando tinha clientes cuja inocência perante a lei era no mínimo inverossímil e no máximo fantasiosa. A “estratégia da rutura” funcionava assim: “A distinção fundamental que determina o estilo do julgamento penal é a atitude do arguido perante a ordem pública. Se a aceita, o........
