Não vale a pena fugir: o Estado apanha-nos sempre
Em Portugal, a última coisa que um cidadão quer — mesmo que seja um patriota, mesmo que seja temente a Deus, mesmo que seja um escrupuloso cumpridor das suas obrigações fiscais — é cruzar-se com o Estado. O cidadão sabe que enfrentar esse mastodonte é o mesmo que entrar embriagado num bar de madrugada e começar uma rixa com o pugilista que está sentado ao fundo do balcão.
Mas há momentos em que até o cidadão mais prudente percebe, com choque e horror, que vai mesmo ter de entabular um diálogo com o Estado. Primeiro, gela. Depois, sua. Por fim, procura uma cadeira porque as pernas começaram a tremer de forma involuntária.
Imagine que este cidadão desprevenido pretende levar a cabo uma atividade que, por razões misteriosas, exige a apresentação prévia de uma certidão de nascimento. Segundo parece, a certidão de nascimento é um documento fundamental para determinados fins porque comprova que alguém que está vivo efetivamente nasceu. Tudo isto, presume-se, para evitar que pessoas........
