Agora querem que o Amália seja o dono da verdade
Os governos, como se sabe, são todos iguais a Oscar Wilde. É ele o autor da célebre frase “Consigo resistir a tudo, menos a uma tentação”. A principal tentação a que, desde a Idade da Pedra, os governos não conseguem resistir é a de controlar a informação. Pior: é a tentação de definir aquilo que é, ou não é, a verdade. Nesta semana em que um ministro se embrulhou em obras e outro tropeçou em exames, passou relativamente despercebida a notícia de que uma “variante” do Amália, o modelo de inteligência artificial pensado e financiado pelo governo, está a ser “treinada” para andar a farejar a verdade e a mentira nas notícias dos jornais.
Segundo parece, uma “equipa de linguistas” pegou numa lanterna e numa picareta e varreu 104 notícias numa tentativa gloriosa de “identificação de narrativas dominantes em artigos noticiosos de natureza manipuladora” e de “deteção de técnicas de persuasão em conteúdos jornalísticos”. Mais concretamente, esta brigada linguística........
