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Uma derrota e um impasse

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21.06.2026

O chumbo no Parlamento da reforma laboral é um revés duro para o Governo. Independentemente do juízo que se possa fazer acerca dos penosos 9 meses de negociações na Concertação Social, ou das falhas de comunicação que um governo inevitavelmente comete em temas que não despertam vagas de apoio popular, e conseguem suscitar a oposição largamente maioritária da comunicação social, o Governo não podia deixar de levar a votos a sua proposta. Mas perder nestas circunstâncias deixaria feridas profundas. Como deixou.

No segundo governo de Montenegro cresceu a consciência de que o programa do primeiro estava esgotado. Em essência, esse programa era simples: primeiro, inverter os desastres do governo de António Costa na Imigração, na Habitação, ou na Saúde – com graus muito variáveis de sucesso e, nesta sequência, com graus decrescentes de sucesso; segundo, distribuir dinheiro por descontentes, aumentando salários e melhorando carreiras dos grupos profissionais na função pública, dos enfermeiros aos polícias, passando pelos professores e outros; e, terceiro, conquistar os eleitoralmente decisivos pensionistas com aumentos regulares em diferentes modalidades. Na economia, cumpria-se umas promessas eleitorais no fisco (IRS e IRC), mas sobretudo apostava-se todas as fichas – como o governo Costa, de resto, também planeara – na “execução” rápida e em força do PRR, fôlego que garantiria sempre crescimento “acima da média europeia”, ainda que sofrível e ilusório. Depois, era só aguardar a crise política mais conveniente para, nessa base política, alcançar uma maioria absoluta ou ficar perto dela.

A crise política chegaria cedo pela mão da Spinumviva e da inépcia lendária de Pedro Nuno Santos. Mas seria suficiente para selar o fim dessa estratégia, ou pelo menos da suficiência dessa estratégia. O novo Governo teve de encontrar uma nova forma de justificação política dado que continuava a ter apoio minoritário na Assembleia da República e mantinha a sua equidistância relativamente aos dois partidos que, na oposição, podiam viabilizar o seu........

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