Que guerra é esta?
O ataque ao Irão por Israel e os Estados Unidos é uma guerra justa? É pelo menos uma guerra justificada? Já sabemos que à luz do que se chama direito internacional por estes dias – um conjunto de convenções, a Carta das Nações Unidas e, reflectindo a mais convencional das definições de “direito”, votações do Conselho de Segurança dominadas por cinco potências – a guerra é ilegal. Deixemos de parte a velha questão do direito internacional, das suas origens morais e não-convencionais, entretanto muito esquecidas, e da sua difícil coordenação com o conceito de soberania. À luz desta lei a ilegalidade pode ser irrelevante para Israel, que nasceu de uma decisão das instituições do direito internacional convencional do pós-II Guerra Mundial, mas depois viu-as transformar-se numa mera plataforma de planeamento da sua destruição. Para a democracia israelita, envolvida numa guerra existencial com os seus vizinhos, um dos quais a República Islâmica do Irão desde 1979, quando até então o Império iraniano fora um seu aliado mais ou menos discreto, a sua sobrevivência tem sempre uma compreensível prioridade sobre tudo o resto. Isso nota-se até no enquandramento constitucional-legal das acções do governo israelita, quando comparado com o de outros Estados democráticos, incluindo os EUA. Um país minúsculo em permanente estado de guerra nunca poderia estar constitucionalmente desarmado para agir decisiva e rapidamente em vista da sua própria salvação, conferindo ao poder executivo uma margem de discricionariedade que os pacíficos povos europeus jamais aceitariam.
Mas os EUA não são Israel. Pelo contrário, no pós-II Guerra Mundial, e nos anos que se seguiram ao término da Guerra Fria com o comunismo soviético, a........
