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Quatro modelos de "sistema internacional"

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05.04.2026

Na longa reflexão sobre a guerra e a paz, as diferentes épocas históricas criaram as suas próprias representações do que seria um sistema finalmente pacífico e justo. Foram diferentes as conceptualizações do que formaria um “sistema internacional” (passando o anacronismo) que resolvesse finalmente a tragédia e o problema das guerras em cadeia. Do ponto de vista europeu, fomos deslizando entre diferentes soluções de um mal que produzia danos políticos e comprometia padrões morais. A solução devia ser primeiramente política e, se fosse possível, moral também. E tantos séculos depois as opções continuam essencialmente as mesmas.

É verdade que, depois do Império romano, a ideia do “império universal”, que impunha a paz a partir de uma posição de superioridade radical sobre vizinhos e aliados, se tornou impraticável – e mais tarde inaceitável. Todavia, mais recentemente a ideia de que a solução para a paz no mundo caberia à iniciativa de uma hegemonia unipolar benevolente, em qualquer caso americana, não deixou de aparecer nas últimas décadas aos olhos de alguns em ambas as margens do Atlântico como uma solução preferível, e até superiormente confortável. Conveio sempre que essa ideia fosse sujeita a uma retórica de repúdio, mas uma parte dessa retórica era autêntica, a outra parte servia para salvar aparências e esconder impotências.

Nos escombros do Império, o Cristianismo consolidou uma tradição diferente: a de que a guerra devia ser autorizada (pela justiça) e regrada (pelo direito). Depois dos Romanos, mas não sem a influência de um deles, foram séculos de reflexão e........

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