O terceiro mundismo: a doença senil do esquerdismo
Nos tempos de grande transformação geopolítica que atravessamos é cada vez mais notória a importância das ideologias na interpretação dessas mudanças e no rumo que os povos, ou as suas lideranças, procuram dar-lhes. Desde o “eurasianismo” das cúpulas russas às radicalizações do islamismo sunita na formação da Al-Qaeda, do ISIS e subsequente sedução das populações jovens muçulmanas no Ocidente, as reorientações ideológicas têm estado no centro de acontecimentos e mudanças estruturais dos últimos anos. No Ocidente, as transformações têm sido fortemente partidarizadas, como se vê, à esquerda, na mobilização frenética anti-israelita em contraste com o silêncio desavergonhado diante da carnificina perpetrada pelo regime xiita iraniano cujas vítimas são incapazes de gerar qualquer vaga de “indignação”, “empatia” ou sequer “solidariedade”.
A tendência é para supor que as mudanças ideológicas mais “autênticas” são as que nascem nos contextos particulares das diferentes regiões do mundo. Depois da morte do comunismo marxista, e do desencanto com a democracia liberal, os povos “não-ocidentais” são aplaudidos pela esquerda ocidental quando finalmente se determinam pelas forças mais “autênticas” provenientes das raízes profundas das suas “identidades”. Daí que todos os dias sejamos espectadores involuntários das vénias indecorosas e apoio acéfalo das luminárias da esquerda ocidental aos nacionalismos mais fascistas e ao obscurantismo religioso mais totalitário – tudo movimentos em directa contradição com a longa história do que vagamente se chamam “valores da esquerda”, para nada dizer da pura e simples decência.
Contudo, não é difícil descortinar uma plataforma intelectual comum que une todos estes movimentos díspares e respectivos apoios políticos. Seja na Ásia, em África ou na América........
