Serão as pensões irreformáveis?
A proporção de eleitores com mais de 60 anos não para de crescer. Em 1974 rondaria os 20% da população em idade de votar; hoje aproxima-se dos 40%, o dobro. O crescimento acelerou nos anos 90 e poderá levar esse peso aos 45% por volta de 2040. A imigração tem aumentado a população residente, mas, sendo estrangeiros pelo menos numa fase inicial, pouco diluirá o peso dos seniores no eleitorado.
Não há informação oficial sobre o tema, mas vários estudos apontam no mesmo sentido: os eleitores seniores votam mais, e votam mais do que no passado, sobretudo quando comparados com os outros grupos etários. Nas primeiras décadas da democracia, quando os idosos eram desproporcionalmente iletrados e mal informados, era compreensível que se abstivessem mais. Hoje não só são mais numerosos, em termos absolutos e relativos, como se mostram muito mobilizáveis em torno dos seus interesses específicos. Têm mais escolaridade, estão mais informados e são frequentemente eleitores single issue: preocupam-se muito com as pensões e menos com tudo o resto que faz parte da governação de um país. Outra dimensão relevante: o altruísmo para com as gerações futuras poderá estar a enfraquecer. Os seniores de hoje tiveram menos filhos do que os de ontem e têm........
