Pode o voluntariado internacional ter um impacto negativo?
De acordo com o mais recente Relatório sobre o Estado do Voluntariado no Mundo (2026), a cada mês que passa, aproximadamente 714 milhões de pessoas exercem trabalho voluntário através de organizações estruturadas. [1] Destas, muitas decidem cruzar fronteiras e integrar missões de voluntariado internacional – na maior parte dos casos, movidas por valores como o altruísmo e o humanismo. Mas, serão as boas intenções e o desejo de ajudar suficientes para que o impacto do voluntariado seja positivo? Ou corremos o risco de, sob a bandeira da solidariedade, perpetuar modelos que trazem mais danos do que benefícios?
Para responder a estas questões, importa analisar, em primeiro lugar, uma das várias vertentes que o voluntariado internacional pode assumir: o volunturismo. O termo, cunhado a partir da junção de “voluntariado” e “turismo”, designa a prática de viajar para um determinado destino com o objetivo de realizar trabalho voluntário durante um período de férias. [2] Este é frequentemente promovido por agências de viagens, operadores turísticos, ou até mesmo por algumas organizações não governamentais (ONG), estimando-se que o seu mercado global atinja os 1,27 mil milhões de dólares americanos em 2030. [3]
Esta lógica de mercado, aliada ao facto de o próprio conceito nascer da união entre “voluntariado” e “turismo”, cria, desde logo, alguma ambiguidade, sendo por vezes difícil discernir qual o seu........
