Tempo de rutura
“Há coisas que ultrapassam todos os limites”, disse ontem Rui Costa aos jornalistas, depois da derrota na final da Taça de Portugal. Sim, ultrapassaram-se todos os limites. Mas não apenas no campo. Este domingo, o Benfica não perdeu apenas uma final. Perdeu-se, também, a última réstia de esperança numa presidência que chegou ao fim sem deixar obra feita. O que vimos foi a confirmação de um ciclo falhado, marcado pela ausência de liderança e de rumo.
É difícil escrever isto. Difícil porque, como qualquer benfiquista, habituei-me a ver Rui Costa como símbolo de talento, entrega e mística. Mas o respeito pelo passado não pode justificar a continuação de um presente sem direção. E exige-se, a quem ocupa esse lugar, muito mais do que esforço ou boas intenções. Nestes últimos quatro anos, em que lhe foram oferecidas condições únicas para governar, Rui Costa tornou-se, ele próprio, um fator de instabilidade. Ora vejamos: o clube passou a estar ainda mais dependente da venda de jogadores para alcançar a sustentabilidade financeira. Teve mais treinadores do que títulos. E mais administradores da SAD a sair do que conquistas alcançadas. Manteve-se refém de interesses externos e de circuitos que deveriam ter sido cortados. Não reteve muitos dos seus........
